O ano de 2026 promete ser um dos mais emocionantes da história recente do ciclismo de estrada. Os três grandes giros — Giro d’Italia, Tour de France e Vuelta a España — reúnem os melhores ciclistas do mundo em três semanas de competição cada, desafiando os limites físicos e táticos dos corredores ao longo de milhares de quilômetros por montanhas, planícies e contrarrelógios.
Em conjunto, os três grandes giros de 2026 formam uma temporada excepcional, com percursos arrojados, rivalidades históricas e um nível de competição raramente visto. Para os fãs do ciclismo, será um verão — e um outono — de emoções garantidas sobre duas rodas, e que podem ser acompanhadas ao vivo aqui no Brasil pelo canal ESPN.
Giro d’Italia — 8 a 31 de maio
A 109ª edição do Giro d’Italia começa em 8 de maio em Nessebar, na Bulgária, e termina em 31 de maio em Roma. Pela primeira vez na história, a “Corsa Rosa” pisa em solo búlgaro, com três etapas iniciais que percorrem cidades como Tarnovo e Sofia antes de cruzar para a Itália. Ao todo são 21 etapas, com sete finais em alto e uma distância total de 3.459 km. Os momentos decisivos ficam reservados para a última semana, com destaque para o lendário Blockhaus — ausente desde 2022 —, os Dolomitas com o Passo Giau e a subida brutal ao Piancavallo na penúltima etapa. Continua após a publicidade
No campo de favoritos, o nome que sobressai é o do dinamarquês Jonas Vingegaard, bicampeão do Tour de France, que parte como o grande favorito para conquistar a Maglia Rosa. Vingegaard busca se tornar o oitavo ciclista da história a vencer as três Grandes Voltas. Entre seus principais rivais estão o britânico Adam Yates, atual campeão, e o colombiano Isaac del Toro, vice-campeão em 2025, que formam um duo poderoso pela UAE Team Emirates. Richard Carapaz, o equatoriano da EF Education-EasyPost e vencedor de 2019, também é presença temível nas subidas.
O prêmio total do Giro em 2025 foi de €1,6 milhão, com o campeão geral recebendo cerca de €265 mil — valores que devem se manter em linha para 2026. O principal desafio da prova está na combinação de altitude, frio e desnível acumulado nas semanas finais: com etapas de mais de 5.000 metros de desnível e rampas que superam 14%, o Giro exige dos candidatos uma consistência que vai além da força pura.
Tour de France — 4 a 26 de julho
A 113ª edição do Tour de France terá início em 4 de julho de 2026 em Barcelona, na Espanha — a 27ª largada fora da França e a terceira em solo espanhol — e terminará, como de tradição, nos Champs-Élysées de Paris em 26 de julho. A abertura será marcada por um contrarrelógio por equipes de 19 km com chegada na colina olímpica de Montjuïc — formato não utilizado para inaugurar o Tour desde 1971. Ao longo das 21 etapas, o pelotão atravessará Pirineus, Maciço Central, Vosges, Jura e Alpes, com o ponto mais alto em 2.642 metros de altitude no Col du Galibier. Um destaque especial são as etapas 19 e 20, com duas chegadas consecutivas no mítico Alpe d’Huez, fato inédito na história recente da prova. Continua após a publicidade
Os favoritos ao título são o esloveno Tadej Pogačar, tetracampeão (2020, 2021, 2024 e 2025), e o dinamarquês Jonas Vingegaard, bicampeão consecutivo em 2022 e 2023. A equipe BORA também se apresenta como incógnita, com Florian Lipowitz, terceiro colocado em 2025, e os reforços de Remco Evenepoel e Primož Roglič em suas fileiras. O Tour de France é a prova com a maior premiação do ciclismo mundial: em 2025, o total distribuído foi de €2,3 milhões, com o campeão geral embolsando €500 mil — valores que historicamente acompanham a inflação a cada edição.
O maior desafio desta edição é o acúmulo de altitude nas etapas finais: quem chegar ao Alpe d’Huez com energia para atacar duas vezes em dias consecutivos merecerá, sem discussão, a camiseta amarela.
Vuelta a España — 22 de agosto a 13 de setembro
A 81ª edição da Vuelta a España arranca em 22 de agosto com um contrarrelógio individual de 9,6 km nas ruas do Principado de Mônaco — pelo terceiro ano consecutivo com largada em território estrangeiro, após Portugal em 2024 e Itália em 2025. A prova percorre 3.275 km ao longo de 21 etapas, encerrando em Granada em 13 de setembro. O percurso deste ano tem sabor especialmente andaluz, com etapas decisivas na Serra Nevada, no Calar Alto — o observatório astronômico mais alto da Europa continental, a 2.168 metros — e um arremate épico no inédito Collado del Alguacil, com rampas de quase 10% de inclinação média. Ao todo, são sete chegadas em altitude.
O nome central da Vuelta a España 2026 é o esloveno Primož Roglič, que busca o quinto título na prova e o recorde absoluto de vitórias na Espanha. Seu principal rival deve ser João Almeida, vice-campeão da Vuelta e um dos mais sólidos corredores de grandes voltas da atualidade. A premiação da Vuelta, embora seja a mais modesta entre os três grandes giros, ainda representa um valor expressivo: em 2025, o prêmio total foi de cerca de €1,1 milhão, com o campeão recebendo €150 mil. O grande desafio da Vuelta em 2026 é o calor escaldante do sul da Espanha combinado com subidas de altíssima dificuldade: corridas de três semanas no mês de agosto em Andaluzia testam não apenas a potência aeróbica, mas a capacidade de hidratação, recuperação noturna e gestão térmica dos atletas — variáveis que, sob 38°C, podem decidir uma Volta em segundos.