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Morre Rogéria, a múltipla artista brasileira

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Na noite de segunda-feira (4 de setembro), Rogéria, a múltipla artista – atriz, cantora, apresentadora, dançarina, vedete e jurada de talentos – morreu em decorrência de uma infecção generalizada, por complicações decorrentes de infecção urinária. Astolfo Barroso Pinto, de 74 anos, faleceu as 22h15, no Hospital da Unimed-Rio, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, de acordo com o biógrafo e amigo Mario Paschoal.

Em 25 de agosto, a atriz chegou a receber alta da Unidade de Tratamento Intensivo do hospital (UTI) e foi levada para o quarto. Em julho, a atriz tinha sido internada por duas semanas em uma clínica em Laranjeiras, por conta de uma infecção generalizada. O seu quadro havia piorado depois de uma crise convulsiva.Em redes sociais, famosos lamentaram a morte da atriz Rogéria nesta segunda-feira (4). A cantora Valesca Popozuda disse que Rogéria “levava seu humor e seu talento por onde passava”.




Velório e enterro

O corpo de Rogéria será velado a partir das 11h desta terça (05/09), no Teatro João Caetano, no Centro do Rio. Nos primeiros momentos, o velório será fechado apenas para pessoas próximas e da família. De 13h às 18h, será aberto ao público. O enterro será na quarta (6), na cidade de Cantagalo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, onde ela nasceu.

Trajetória

Astolfo e Rogéria sempre conviveram em harmonia na mesma pessoa. Astolfo, o homem corajoso e transgressor que se fez mulher e grande artista. “Jamais na vida pensei que era mulher”, enfatizava repetidamente. “Gosto de ser o que sou, o travesti da família brasileira.” “Quando vinham com violência, eu virava um boxeador”, contou em entrevista ao canal GloboNews, enquanto os dedos com unhas pintadas de vermelho ajeitavam os cabelos louros.

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A multiartista deixou sua marca em quase trinta trabalhos na TV Foto: Willian Andrade/TV Globo

Foi em Paris, onde quando jovem se apresentou nos mais luxuosos cabarés, que ela fez a transição de visual: o rapaz de cabelos curtos e aparência andrógina se transformou numa bela mulher com visual de diva hollywoodiana. A inspiração foi ninguém menos que Marilyn Monroe, o maior mito já produzido pelo cinema. No retorno ao Brasil, Rogéria usou o salto alto – mais o talento, a inteligência e o humor sempre afiado – para pisotear o preconceito numa época na qual os termos homofobia e transfobia sequer eram citados.

Na TV, nas telonas e nos palcos, ela mostrou densidade dramática e veia cômica. Uma atriz consistente, capaz de interpretar papéis femininos como o da esposa evangélica na peça ‘O Desembestado’, em atuação que lhe rendeu em 1979 um dos mais prestigiados prêmios do teatro brasileiro, o Mambembe.

Os noveleiros foram presenteados por ‘dona Rogéria’, como era respeitosamente tratada pelos fãs nas ruas, com performances hilárias. Nesta madrugada, o canal Viva exibiu justamente o capítulo de ‘Tieta’, novela de 1990, na qual a dondoca Ninete faz chegada triunfal a Santana do Agreste. Ironia do destino, homenagem do destino: trata-se do mais popular personagem feito por Rogéria na Globo.

Quando surgia diante das câmeras despida da ficção mas em figurinos deslumbrantes, a artista fazia questão de opinar a respeito de temas relevantes, como a preservação dos valores familiares e a conscientização coletiva contra os reacionários.