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Novas regras do cartão de crédito entram em vigor, entenda como ficam os pagamentos

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Entram em vigor no Brasil a partir desta segunda-feira (03-abr) as novas regras para o pagamento do cartão de crédito. O objetivo da nova regra é fazer com que o consumidor não fique mais preso ao crédito rotativo (pagamento mínimo da fatura). Agora, sempre que o usuário entrar no rotativo, no mês seguinte ele terá de fazer o pagamento integral do que veio do mês anterior.




Sempre que o consumidor entrar no crédito rotativo, depois de 30 dias a operadora do cartão deverá oferecer obrigatoriamente ao cliente um parcelamento do saldo devedor. O consumidor também fica com a opção de, depois desse prazo, fazer o pagamento à vista. Caso ele não escolha nenhuma das duas alternativas, ficará inadimplente tendo seu CPF negativado.

Uma pesquisa recente aponta que entre os brasileiros com CPF negativados, 40% deste total tem relação direta com o cartão de crédito. Agora, pela nova regra, o rotativo só vai poder durar um mês. A operadora pode ou não oferecer o parcelamento desse saldo, mas mesmo que o cartão ofereça o parcelamento, o melhor é buscar uma instituição financeira que ofereça juros mais baixos. Normalmente os juros praticados pelos bancos são normalmente mais baixos do que os oferecidos no parcelamento do cartão. Mas o melhor, mesmo, é sempre pagar o valor total da fatura, nunca deixar saldo para o mês seguinte.

Como era
Antes se o cliente tivesse uma fatura de R$ 1 mil, mas tivesse apenas R$ 150 para pagar, a dívida poderia se tornar impagável. No primeiro mês, o saldo devedor saltaria de R$ 850,00 para R$ 948,72. No fim do sexto mês estaria em R$ 1.708,90 segundo estimativas financeiras. Os juros da dívida, se não quitada integralmente, sobe muito rápido. O cartão de crédito é uma das modalidades com as taxas mais elevadas do mercado brasileiro. Em dezembro de 2016 o juros chegou a 484,6% ao ano.

Exemplo 1
O usuário recebe a fatura de R$ 1.000,00, faz o pagamento mínimo de R$ 150,00 (15%) e deixa R$ 850,00 no crédito rotativo. Na fatura do mês seguinte, os R$ 850,00 terão se transformado em R$ 986,00 (juros de 16% ao mês do rotativo*). Como agora ele é obrigado a zerar o saldo, mas não tendo todo o dinheiro, poderá aceitar o parcelamento do valor em 5x, a juros de 8% ao mês oferecidos pelo próprio cartão.




Exemplo 2
O usuário recebe a fatura de R$ 1.000,00, não tem dinheiro para pagar tudo de uma vez, mas também não quer entrar no crédito rotativo do cartão. Ele procura um banco e consegue um empréstimo de R$ 1.000,00 para ser pago em 6x a juros de 5,17% ao mês.

Conclusão
Ao final de seis meses, recorrendo aos juros do rotativo + juros oferecidos pelo cartão de crédito (Cenário 1), o usuário terá gastado R$ 196,27 a mais do que se tivesse recorrido ao empréstimo pessoal bancário (Cenário 2). Essa diferença corresponde a 19,63% do valor inicial da fatura. Em ambos os cenários não foram considerados no cálculo eventuais encargos praticados pelas instituições financeiras
Dúvidas com as novas regras

1) O cartão é obrigado pela nova regra a oferecer o parcelamento do saldo devedor?
– Não. A operação de crédito depende do interesse mútuo das partes – emissor e cliente. Mas, se o emissor tiver interesse em oferecer o parcelamento do saldo devedor da fatura, as condições devem ser mais vantajosas do que aquelas do crédito rotativo

2) O cliente é obrigado a parcelar o saldo devedor com a própria instituição do cartão?
– Não. O cliente pode optar por liquidar integralmente o saldo devedor com recursos próprios ou com recursos obtidos em outra instituição (bancos).




3) Se o cliente realizar novas compras no mês seguinte, como fica a situação?
Os valores relativos às novas compras de cada período poderão ser financiados por meio do crédito rotativo somente até o vencimento da fatura seguinte. Essa sistemática pode se repetir a cada mês.

4) O que acontece com o saldo devedor de crédito rotativo existente na fatura deste mês de abril?
O saldo devedor existente pode permanecer em crédito rotativo até o vencimento da fatura de maio, quando deve ser pago ou parcelado, de acordo com a nova regra

5) Muda alguma coisa nos valores parcelados na compra?
– Não. Os valores parcelados, definidos diretamente no ato da compra, não sofrem nenhuma incidência de taxas ou juros, desde que acordado mutuamente entre comprador e vendedor permanecendo como é hoje.