Home Destaques Investigação aponta motivo para queda do avião com time da Chapecoense

Investigação aponta motivo para queda do avião com time da Chapecoense

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Um diálogo de aproximadamente 11 minutos divulgado na quarta-feira (30) por uma rádio da Colômbia, revela a insistência do piloto boliviano Miguel Quiroga com a torre de controle do aeroporto José Maria Córdova, em Medellín, para pousar o avião da LaMia, que transportava a delegação da Chapecoense e profissionais da imprensa por conta da situação de emergência da aeronave.

Durante a conversa, o comandante revela que a aeronave estava em “pane total elétrica e de combustível”. Por isso, ele pede em diversas ocasiões da gravação, feita momentos antes do acidente, que haja prioridade para aterrissagem diante do quadro. A controladora que está em contato com Quiroga dá ordens para que a aeronave permanecesse no ar e aguardasse porque havia uma emergência com outro avião, um Airbus da empresa Viva Colômbia, que estava sendo atendido no mesmo momento.




Em um dos trechos, o piloto informou que voava a 9 mil pés (2.743 metros), abaixo da altura recomendada pela Aeronáutica Civil da Colômbia para a região montanhosa de Cerro El Gordo que é 10 mil pés (3.048 metros), onde a aeronave se acidentou. Em seguida, o piloto pede as coordenadas para iniciar os procedimentos de pouso e as recebe. A torre ainda informa a distância do avião para pista, que era de 13km, avisa que há chuva e que os bombeiros haviam sido acionados. O contato, então, é perdido.

Quando o avião fica sem comunicação com a torre de comando, ele sobrevoava as cidades de La Ceja e Aberrojal, à 00h33 (horário de Brasília), e a queda ocorreu à 1h15 no Cerro El Gordo segundo informações do aeroporto de Medellín.

O outro voo
Uma passageira brasileira que estava no avião da Viva Colômbia que ganhou prioridade para aterrissar, contou que o tempo era relativamente bom naquele momento, com uma chuva fraca, mas que enfrentou turbulência durante o trajeto. “Após uma hora de voo foi informado aos passageiros que estávamos tendo problemas com um vazamento de combustível
e que deveríamos fazer um pouso de emergência na cidade próxima de Medellín, Rio Negro. Depois disso, houve muito pânico, todos muito apreensivos, com medo. E acabamos pousando”, disse a passageira.




Plano de voo previa parada para abastecer
O plano de voo do LaMia previa a possibilidade de parar no caminho para reabastecimento. De acordo com o general boliviano Gustavo Vargas, diretor da empresa, as cidades de Cobija, na
Bolívia, e Bogotá, na Colômbia, eram alternativas para aterrissagem em caso de necessidade. Vargas revelou que não houve como realizar o procedimento. “Lamentavelmente não pudemos reabastecer a aeronave em Cobija, que era o ponto inicial, porque ficou tarde e este aeroporto não funciona à noite. Então eliminamos Cobija, mas o piloto tinha outra alternativa, que era Bogotá”, disse, antes de ponderar a decisão de Miguel Quiroga.

“Antes de passar por Bogotá ele tinha de tomar a decisão, se estava com combustível teria que seguir, mas se havia algo errado com o combustível deveria parar. Se continuou é porque o piloto avaliou que podia e partir dai aconteceu esta catástrofe.”

Distância entre aeroportos
Com base na ficha técnica da fabricante do avião da LaMia, a distância máxima padrão da aeronave modelo RJ85 que pode ser percorrida é de 2.965 quilômetros. Já a distância direta entre o Aeroporto na Bolívia, e o Aeroporto na Colômbia, é de 2.975 quilômetros (em linha reta).