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Eduardo Cunha é preso em Brasília, político teria uma extensa lista da classe política para denunciar

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Eduardo Cunha é preso em Brasília, político teria uma extensa lista da classe política para denunciar, Eduardo Cunha é preso em Brasília, político teria uma extensa lista da classe política para denunciar
Eduardo Cunha embarca em jato da Polícia Federal em Brasília com destino à Curitiba, onde ficará em prisão preventiva

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi preso no início da tarde desta quarta-feira pela Polícia Federal e, diante do atual cenário político sua prisão o elevou a ser o mais temido presidiário da Lava Jato. O patrimônio de informações acumuladas, sobretudo, durante o ápice da carreira política, ao presidir a Câmara por 16 meses (até ter o mandato cassado, em 13 de setembro), apavora grande parte da classe política (do novo governo a oposicionistas de vários partidos). Após ser preso, Cunha foi levado de avião para Curitiba e ficará na carceragem da PF numa cela isolada. A prisão é preventiva, ou seja, não tem prazo definido.




A ordem para prendê-lo partiu do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela operação Lava Jato, e atendeu um pedido do Ministério Público, que aponta risco de fuga e de obstrução das investigações. No despacho, Sérgio Moro lembra que Cunha tem dupla nacionalidade (possui passaporte italiano) e quantia de dinheiro mantida no exterior.

A defesa de Cunha lembrou que o pedido de prisão estava no STF (Supremo Tribunal Federal) há seis meses e nunca havia sido executada por falta de elementos suficientes para prisão preventiva. “Surpreendentemente, Moro, com uma semana com o processo na mão, decreta prisão sem qualquer fato novo”, reclamou o criminalista Ticiano Figueiredo.

 

A prisão
Em um primeiro momento, os agentes foram cumprir o mandado na casa do político no Rio de Janeiro. Mas, somente no início da tarde Cunha foi localizado, em Brasília. O político estava próximo ao apartamento funcional que está praticamente vazio e seria devolvido nos próximos dias. O ex-deputado foi preso ao chegar na garagem do prédio, acompanhado de um advogado.

Por ordem judicial, em nenhum momento foram usadas algemas. A prisão sempre esteve no horizonte de Cunha. Uma mala com roupas, inclusive, era fiel escudeira desde que tornou-se ex-deputado. Foi a segunda vez que o político foi abordado pela PF. Em dezembro do ano passado, agentes cumpriram um inédito mandato de busca e apreensão na residência oficial da Presidência da Câmara. Documentos e celulares foram apreendidos.

 




Bloqueios
Além da prisão, a Justiça reforçou o pedido de indisponibilidade de bens do ex-deputado em até R$ 220 milhões. O valor refere-se a uma ação de improbidade administrativa aberta em junho.

Visando o ressarcimento dos prejuízos aos cofres públicos, foram bloqueados oito veículos de luxo que estão em nome de empresas e de parentes de Cunha. Além dos carros em nome da Jesus Serviços de Promoção e Propaganda e C3 Produções Artísticas. Somados, os veículos valem R$ 1 milhão.

Para o juiz Sérgio Moro, Cunha se envolveu “não em crimes isolados, mas na prática de crimes em série”. Além disso, segundo o juiz, nem todo o dinheiro que ele teria recebido foi identificado e bloqueado, e o ex-deputado tem nacionalidade italiana, o que justifica a prisão para evitar uma possível fuga e desaparecimento dos valores. O MPF listou 11 motivos que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia dado ao STF, em dezembro de 2015, para pedir o afastamento de Cunha. As razões, segundo Moro, apontam que ele tentou “intimidar testemunhas, colaboradores e até mesmo advogados que poderiam prejudicá-lo”. O juiz afirma que a perda do mandato de Cunha não evita novos crimes, já que ele “valeu-se de terceiros” para praticá-los.

Moro explicou que a prisão não foi decretada antes porque Cunha estava, até a cassação, protegido “pelo estatuto normativo especial” dos parlamentares, que só permite prisões em flagrante.
Mas os fundamentos para a detenção já existiam quando ele foi afastado, segundo o magistrado.