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Brasil terá ‘Bolt’ das Paralimpíadas em provas de atletismo

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Brasil terá ‘Bolt’ das Paralimpíadas em provas de atletismoJogos Paralímpicos de Tóquio 2020: A comemoração, que imita um raio com os braços apontando para o alto, é a mesma. Os títulos mundiais, olímpicos e recordes também se equivalem. Por isso, é inevitável assistir ao paraibano Petrúcio Ferreira, o paratleta mais rápido do mundo, e não se lembrar do multicampeão e multirecordista Usain Bolt, jamaicano que ainda ostenta os recordes de velocidade em provas olímpicas.

A diferença é que, enquanto Bolt já se aposentou das pistas, o brasileiro chega no seu auge para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Aos 24 anos, Ferreira compete nos 100 metros rasos da categoria T47, classe para esportistas com membro superior amputado, onde é o atual campeão e recordista mundial e paralímpico.


Petrúcio nasceu em São José do Brejo do Cruz a 400 quilômetros de João Pessoa, capital da Paraíba. O garoto que teve a mão amputada em um acidente doméstico não deixou que a deficiência atrapalhasse seu crescimento e logo passou a se destacar no cenário esportivo. Foi representando sua escola em um campeonato fora da cidade que Petrúcio chamou a atenção de um dos organizadores dos Jogos Escolares da Paraíba, que o convidou a conhecer o atletismo paralímpico.

Aos 18 anos, Petrúcio ganhou ouro no Parapan-americano de Toronto 2015 nos 100 e 200 metros rasos na categoria T47. Um ano depois, veio o triplo pódio na Paralimpíada do Rio de Janeiro, com ouro nos 100 metros rasos, prata nos 400m e no 4x100m. O primeiro lugar veio com o recorde mundial e olímpico da primeira prova, percorrendo os 100m em 10s57. Mas ele provou que a melhor marca de todos os tempos era só o começo. Abaixou o recorde para 10s53 em 2017, quando foi campeão mundial em Londres. E diminuiu para 10s50 em 2018.

O objetivo se tornou alcançar o paratleta mais rápido do mundo —o irlandês Jason Smyth, que compete na classe T13 (para baixa visão) e correu os 100 metros em 10s46 em 2012. Petrúcio diluiu o recorde de Smyth na semifinal do Mundial de 2019, correndo para 10s42, que é o atual recorde. Na final, venceu com um 10s44. Assim, ficou com os dois melhores tempos da história entre todas as categorias do atletismo paralímpico.

Petrúcio chegou a ficar sete meses sem treinar em 2020 por conta da pandemia de covid-19, mas já mostrou estar em forma. Na seletiva para a Paralimpíada, em junho deste ano, correu os 100 metros em 10s45, apenas três centésimos acima do seu melhor.