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Os cafés produzidos na região do Circuito das Águas Paulista, na Serra da Mantiqueira, acabam de entrar para um seleto grupo de produtos brasileiros reconhecidos por sua origem. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à região o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), reconhecendo formalmente a ligação entre a qualidade do café local e o território onde ele é cultivado.
O selo abrange tanto o grão cru quanto o produto industrializado, incluindo café torrado em grão e torrado e moído. A área contemplada pela certificação reúne nove municípios paulistas: Amparo, Águas de Lindóia, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro — todos situados nas ramificações da Serra da Mantiqueira, região conhecida por suas estâncias hidrominerais e por um relevo que favorece o cultivo de cafés de altitude.
Com essa conquista, o Brasil chega a 173 Indicações Geográficas registradas pelo INPI, sendo 130 do tipo Indicação de Procedência e 43 Denominações de Origem, categoria mais restrita que exige comprovação ainda mais rigorosa do vínculo entre as características do produto e o meio geográfico.
Uma tradição que remonta ao século XIX
A relação entre a região e o café não é recente. Segundo a documentação apresentada ao INPI pela associação que solicitou o registro, a atividade cafeeira chegou ao Circuito das Águas Paulista por volta de 1835, trazida de Campinas. As condições climáticas e a altitude da Serra da Mantiqueira se mostraram favoráveis à expansão da lavoura, e já na segunda metade do século XIX cidades como Amparo e Serra Negra haviam se firmado como importantes polos produtores.
Esse crescimento foi impulsionado por dois fatores históricos: a expansão das ferrovias, que facilitou o escoamento da produção, e a chegada de imigrantes europeus — sobretudo italianos —, que reforçaram a mão de obra e a cultura cafeeira na região, ajudando a consolidar sua economia.
Altitude, doçura e identidade regional
Hoje, a vocação da região está voltada principalmente para cafés especiais. De acordo com a entidade responsável pelo pedido de registro, os grãos arábica cultivados ali — em altitudes que podem alcançar 1.400 metros — se destacam por uma doçura acentuada e por características sensoriais próprias, resultado direto das condições de solo, clima e relevo da Mantiqueira paulista. Continua após a publicidade
Além da produção agrícola em si, o turismo rural tem se consolidado como um braço importante da economia local, reforçando a identidade da região no mercado nacional. Fazendas históricas, cafeterias especializadas e roteiros ligados à cultura cafeeira atraem visitantes e ajudam a projetar o nome “Circuito das Águas Paulista” para além do universo agrícola, associando-o também à experiência turística e gastronômica.
Próximos passos
A obtenção da Indicação de Procedência não é necessariamente o fim do processo. A entidade requerente já sinalizou a possibilidade de buscar, no futuro, a conversão do registro para Denominação de Origem — modalidade mais complexa, que exige estudos técnicos aprofundados sobre o vínculo entre as propriedades do produto e o território, além do cumprimento de exigências legais mais rigorosas.
Para os produtores da região, o selo de IG representa um instrumento de valorização comercial: a certificação funciona como um selo de qualidade e autenticidade, capaz de agregar valor ao produto tanto no mercado interno quanto em negociações de exportação, além de proteger o nome da região contra usos indevidos por produtos de outras origens.
A conquista reforça uma tendência observada em todo o país: cada vez mais regiões cafeeiras brasileiras buscam o reconhecimento formal de suas particularidades geográficas e sensoriais, movimento que acompanha a valorização crescente dos cafés especiais tanto no Brasil quanto no exterior.